SOM DE VIOLINO - PARTE 1


A respiração ofegante devido a corrida permeava seus ouvidos. Estava em um lugar escuro, parecia afastado, via casas, mas elas pareciam todas abandonadas, havia uma montanha que se destacava majestosamente na paisagem e em seu topo havia um castelo feito de pedra, era noite fechada, não havia nenhuma fonte de luz, de repente, avistou uma luz acesa no castelo, bem no alto da montanha, foi de relance, logo se apagou, foi tão rápido que ela achou que poderia ser apenas uma ilusão de sua visão turvada pela noite.O som, era suave e melodioso, uma música leve e compassada, ela ouvia os acordes de um violino ao longe, a música a acalmou, por alguns instantes pensou que não deveria temer nada, a música foi se tornando mais alta como se o violinista estivesse se aproximando, ouviu som de folhas sendo pisoteadas atras de si enquanto o som da música se aproximava junto com ele.

O vento começou a soprar forte, Olivia o vento disse seu nome e seu corpo inteiro se arrepiou, o som do violino estava chegando, ela se virou e viu a silhueta do violinista, era um homem alto, parou de tocar e ficou imóvel na escuridão, não podia ver o rosto dele, de alguma forma ele parecia familiar, mas não se lembrava de onde o conhecia.

De repente as perguntas começaram a se formar em sua cabeça, como tinha chegado ali, que lugar era aquele, deu um passo na direção do homem, ele então se virou e saiu a passos largos, ela correu para alcançá-lo, mas ele havia sumido, ficou perdida na noite sozinha, tentou gritar, mas ninguém a ouviu, estava em um deserto, não sabia que direção seguir, ouviu um som suave de passos se aproximando, olhou na direção do som e viu uma criança, parecia uma menininha, com os cabelos esvoaçando a brisa, Olivia o vento chamou seu nome novamente, parecia uma voz agourenta, mais uma vez se arrepiou, estendeu a mão na direção da menina e ela deu um passo atras, o que estava acontecendo? A criança sumiu. 

Repentinamente uma dor horrível surgiu em seu ventre, ela curvou-se de dor e gritou por socorro, a voz saiu trêmula de medo e dor, mas ninguém apareceu, gritou novamente, a dor era como se a estivesses esfaqueando sua barriga repetidas vezes, a dor era quase insuportável, começou a sentir-se fraca, percebeu que ia desmaiar, mas uma nova figura negra havia surgido, era outro homem, um homem mais gordo, um pouco mais baixo, emitia um som que parecia um rosnado, então percebeu que era a risada dele, estava rindo dela, da dor que estava sentindo. 

Ela começou a chorar, enquanto a dor se tornava cada vez mais intensa e aos poucos ia enfraquecendo, quando seus joelhos tocaram o chão, de alguma forma sabia que ia morrer, a consciência começou a abandoá-la aos poucos e quando caiu para a frente com a última estocada de dor...

- Não! Nãooooo! Não!!!! - ela acordou gritando debilmente, rouca e desesperada, sabia que estava chorando, parecia completamente histérica, se debatia na cama chorando e gritando. 

Seus pulsos foram segurados firmemente.

- Olivia, acalme-se! Ei, calma. - a voz dele a trouxe volta ao quarto e ela parou de se debater e gritar. - Isso mesmo, shiiii, está tudo bem. - ele a abraçou, ela encostou o rosto em seu ombro largo e chorou, ele afagava seus cabelos e a balançava como uma criança enquanto ela soluçava, aos poucos foi se acalmando mais, o choro se tornou menos intenso, então se desvencilhou do abraço.

- Preciso de água. - disse ela baixinho.

- Busco para você. - ele respondeu.

- Não! - disse alarmada. - Eu vou com você até a cozinha, não quero ficar sozinha. - disse soando menos desesperada, então saíram os dois do quarto, rumo a cozinha. Ele pegou um copo de água e entregou a ela, que estava sentada na mesa da cozinha.

- Teve um pesadelo? - perguntou ele.

- Sim, um muito estranho. - respondeu.

- Quer me contar?

Ela contou a ele, achou que ele pareceria incrédulo ou surpreso, mas a expressão dele não mudou, ela terminou sua água, eles foram para a cama se deitaram abraçados e ela adormeceu e não teve mais nenhum sonho ruim naquela noite.

Quando acordou, ele não estava na cama, se levantou e saiu do quarto, sentiu o cheiro gostoso de café fresco e de pão torrado, foi até a cozinha e encontrou ele preparando a mesa para ambos.

- Bom dia. - Disse ele beijando-a 

- Bom dia - respondeu ela.

- Já ia acordar você para o café.

Ela sorriu, parecia gostoso.

Eles tomaram café tranquilamente, conversando como todas as manhãs, mas algo parecia diferente.

- Olivia, como se sente? Teve um pesadelo esta noite, conseguiu dormir melhor depois?

- Consegui sim.

Ele parecia preocupado com algo.

- O que foi Charlie? 

- Não é nada amor. - disse ele.

- Parece incomodado com alguma coisa, me conte o que é.

- Já disse que não é nada.

- Não parece ser nada Charlie. - disse um pouco zangada.

- Não se preocupe, está tudo bem.

Ela decidiu parar de perguntar, se fosse importante ele falaria. O dia passou tranquilamente, era um sábado ensolarado, ela aproveitou para dar atenção a alguns afazeres domésticos. De repente pensou em ir dar uma organizada no sótão, havia muito tempo que não ia até lá. Pensou em se livrar de algumas coisas, haviam tantas delas que jamais voltariam a usar. Começou a abrir as caixas, e verificar os conteúdos, fotos antigas, quadros, objetos de decoração, coisas há muito tempo quebradas, passou horas nisso. Então viu uma caixa em um canto, sabia que era de Charlie, abriu e começou a examinar o conteúdo, haviam alguns documentos antigos, pensou de deveriam ser registros da família dele, depois perguntaria o que era e porque ele guardava aqueles documentos. Continuou olhando, até que uma coisa lhe chamou a atenção, uma foto antiga, amarelada e descascada nas bordas, ela examinou a foto, parecia um lugar familiar, quando a compreensão chegou até ela o pavor foi instantâneo, um grito saiu de sua garganta sem que pudesse conter, em segundos Charlie entrava no sótão correndo. Quando a viu ajoelhada no chão com a foto nas mãos, foi como se tivesse sido golpeado fortemente. A expressão dela era de medo e incredulidade, a imagem mostrava um casal e uma criança, uma menina, mas as coisas mais assustadoras na foto eram o casal e a montanha que aparecia atras deles, a montanha era a mesma de seu sonho, com o castelo no topo e a mesma luz que ela viu acesa na janela, o casal era uma versão antiga e desbotada dela e de Charlie.

- Ok Olivia, precisamos conversar. - disse ele.

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